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| Pont du Gard, próximo a Nîmes! |
Primeiro de Maio não é feriado
apenas no Brasil. Aqui na França também é feriado. Claro que aproveitamos para
passear um pouquinho. Na verdade, graças às sugestões da Camila Luz (minha
maitresse de francês) e do José Hilário (meu irmão), decidimos ir para a cidade
de Nimes (no sul da França, próxima a Montpellier). A cidade de Nimes data de
antes de Cristo e, atendendo pelo nome de Nemausus, foi uma
importante cidade do império romano. Nimes possui uma arena da época do Império
Romano (que lembra muito o Coliseu), a qual abriga inúmeros espetáculos. O
espetáculo que fomos assistir, em sua sexta edição, é ambientado nos Jogos
Romanos e mobiliza mais de 500 artistas e simpatizantes da história romana.
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Desta vez lembramos de tirar uma foto com nosso carro alugado! Econômico, fez mais de 20 km/l no diesel. |
Alugamos um carro para o final de
semana. A minha tarefa era providenciar o carro e a hospedagem. Carro alugado
(um veículo diesel, muito econômico, afinal combustível aqui é caro pra caramba),
encontrei um apartamento no airbnb (já comentei sobre como esse site é bacana
em outro post). O apartamento que locamos fica bem no centro histórico de
Nimes, uma localização perfeita!
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Foto tirada pela Anna Luísa em frente a Igreja de Issoire! (viu o dedinho dela?) |
A tarefa da Paula era programar a
viagem. Como a distância entre Clermont Ferand e Nimes é de cerca de 400
quilômetros, a gente decidiu que seria mais divertido e menos cansativo ir
fazendo paradas ao longo do caminho, para conhecer outros lugares também. O difícil
foi escolher onde parar, dada a quantidade de opções (como diz a Paula, cada
cidadezinha que ela pesquisava, ao longo do trajeto, tinha seus encantos).
Decidimos que faríamos duas paradas: Viaduc de Garabit e a cidade de Severac-le-Chateau
(mais à frente comento sobre elas).
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| Issoire e sua Igreja ;) |
Bagagem pronta, partimos de
viagem por volta das 11h (bem tarde, é verdade, porque a Anna Luísa estava meio
adoentada e achamos melhor que ela dormisse bastante). Programamos o GPS para
evitar pedágios, o que faria a viagem um pouco mais longa e lenta, mas
poderíamos ver melhor a paisagem e ainda economizaríamos uns tostões (os quais,
cotados em euros, são bem significativos – segundo o site via michellin,
poderíamos gastar até 40,5 euros de pedágio em uma perna só da viagem).
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| Paula recebendo o Muguet! |
Como a gente saiu tarde,
resolvemos dar uma parada a pouco mais de 40 quilômetros, na cidade de Issoire,
para comer alguma coisa. E topamos com uma igreja magnífica. Não deu outra,
paramos para dar uma olhada e tirar umas fotos. Em pleno feriado de primeiro de
maio, observamos várias barraquinhas na praça em frente à igreja vendendo
flores. Eu, muito curioso, fui investigar porque as barracas vendiam todas a
mesma flor. E acabei presenteando a Paula com um ramo de Muguet, a flor do
primeiro de Maio na França.
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Close de um Muguet, para vocês verem como é! |
Essa florzinha já era cultuada pelos celtas, que celebravam o início do verão mais ou menos em maio e acreditavam que o muguet trazia sorte (não se esqueçam que estamos localizados no coração da antiga Gália, que foi dominada pelos celtas).
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| Igreja de Issoire! |
Mas a moda pegou mesmo por invenção real: o Rei Charles IX, a partir de primeiro de maio de 1561, passou a presentear todos os anos as damas da corte com um ramo de Muguet. Muitos estilistas (inclusive Christian Dior) presenteiam suas clientes anualmente com o Muguet. Sorte ou não, a Paula ganhou um Muguet pelo nosso aniversário de namoro (11 belos e felizes anos).
Depois do Muguet e de almoçarmos, estrada novamente. Partimos rumo à próxima parada da viagem: le Viaduc de Garabit. O Viaduto de Garabit é uma obra impressionante de Gustave Eiffel (exatamente, o pai da torre Eiffel). Precisamos sair um pouco da rota, mas valeu a pena.
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| Le Viaduc du Garabit. |
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| Impressionante a dimensão e a beleza do Viaduto de Garabit! |
O Viaduto de dimensões impressionantes é uma obra de arte. A placa descritiva do viaduto, em um dos pontos de observação, menciona Eiffel como “o mago das vigas de ferro”.
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Foto entre os vãos do Garabit :)
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Originalmente, o Viaduto de Garabit ficava a mais de 120 metros acima do nível da água (décadas depois, uma barragem fez o nível da água aumentar) e se estende por quase 600 metros de comprimento.
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| Uma obra impressionante de Gustave Eiffel! |
Pode parecer ostentação, mas a impressionante
ponte, mais do que uma obra faraônica, reduziu em muito os custos da ferrovia
(por ter encurtado dezenas de quilômetros do traçado original).
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| Lembra muito a Torre Eiffel! |
Não conseguimos
fazer fotos com a gente, pois a maior parte das fotos foram tiradas de dentro
do carro (estava chovendo). Mesmo assim, as imagens falam por si mesmas.
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| Ao fundo, Severac-le-Chateau! |
Depois de perdermos o fôlego com
o viaduto, estrada novamente... agora, rumo a Severac-le-Chateau. Quando
chegamos à parada da rodovia que leva o nome le Chateau (as rodovias da França
têm paradas muito legais; em outro post comentarei sobre isso), ficamos impressionados
com a vista. Confira as fotos para ver como é bacana. Não resistimos e tivemos
que ir à cidadezinha; o plano original era subir até o castelo ao alto do
monte. Contudo, a chuva engrossou e resolvemos que era melhor tocar para Nimes
e deixar o Chateau para a volta.
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| Maison Carrée! |
Mais uns 200 quilômetros depois do Viaduto de Milleau e
estávamos às portas de Nimes. A cidade é antiquíssima e foi um ponto militar estratégico
do império romano. As marcas da presença romana são tão fortes que a cidade é
apelidada de Roma francesa. Com o GPS nos guiando, ficamos boquiabertos ao
passar na frente da Maison Carrée, um templo romano com um estado de
conservação de fazer inveja a muita casa velha por aí...
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Encantados com o tamanho
da porta! |
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| Maison Carrée! |
Nosso apartamento ficava a uns
150 metros do templo romano chamado Maison Carrée (como eu disse, estávamos no coração do centro
histórico). O único inconveniente foi que o estacionamento da rua era pago e
podíamos ficar no máximo 2 horas (ainda bem que de noite, feriado e domingo era
liberado).
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| Arena de Nîmes na noite em que chegamos! |
Estacionamos, baixamos as malas, deixamos as coisas e fomos passear
no centro histórico. Acho que levamos umas três horas para ir do apartamento
até a Arena (não que fosse longe; pelo contrário, era bem perto. Mas a cidade é
impressionante e a cada esquina íamos parando para uma admirada ou outra). Eu, particularmente, achei a cidade bem parecida com Roma (na
arquitetura, nos calçamentos, na disposição das ruas). Acho que o apelido Roma
francesa é justo.
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| Com uma estátua de toureiro! |
Quando chegamos cara a cara com a
Arena de Nimes, já noite escura, que espetáculo! A construção é impressionante (fico imaginando
como seria o Coliseu, fora ele preservado como aqui em Nimes).
Mas claro, no
caminho todo, do apartamento até a Arena, passamos por várias pessoas trajadas
de romanos (desde gladiadores e soldados até togados). O pessoal daqui “veste
mesmo a camisa”, com o perdão do trocadilho.
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| Ao fundo, Pont du Gard. |
No dia seguinte, iríamos ao espetáculo na arena. Mas antes fomos conhecer o Aqueduto de Nimes, também chamado Pont du Gard, que empresta sua beleza à nota de 5 euros da série de notas Europa. Que construção majestosa!
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| Estampa da Pont du Gard na nota de 5 euros. |
Basicamente, Pont du Gard é uma ponte, construída em três níveis, no estilo romano (arcos), para abastecer a cidade de Nimes. Ela é parte de um aqueduto de quase 50 quilômetros e foi construída antes que os pastores cantassem para o recém nascido na manjedoura.
Segundo as informações do local, a ponte tem mais de 270 metros de comprimento e chega a 50 metros de altura.
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| Muito grande! |
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| Linda paisagem! |
Realmente, impressionante! O Gard (o rio que passa sob a ponte) tem uma água geladinha e de um azul muito bonito. É liberado nadar no rio, mas poucos corajosos estavam encarando a temperatura da água. Dizem que a Pont du Gard é a ponte antiga mais alta do mundo! E como é bem conservada. Realmente, impressionante!
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| Na Arena esperando o espetáculo começar! |
Saímos do parque do Gard e fomos direto para as proximidades da Arena. O plano era almoçar lá por perto, mas como já era mais de 2 da tarde, o máximo que conseguimos foi comer uma pizza rapidinho, acompanhada de uma salada romana (com queijo de ovelha - pensa num queijo "fedido"... kkkk).
Saímos meio na correria para chegar na Arena e assustamos com o tamanho da fila. Ainda bem que não compramos ingresso da geral, que estava um caos. O nosso ingresso nem era da elite e nem da geral, o que nos garantiu um acesso um pouco mais fácil e rápido. Para nossa sorte, o lugar que pegamos nas cadeiras numeradas não ficava de frente para o sol, o que nos permitiu uma vista muito bacana (sem falar que fomos um dos primeiros lugares da arena a pegar uma sombra).
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| Crianças encantadas! |
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| Debora e o selfie! |
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| Francisco atento o tempo todo! |
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| Arena lotada! |
Uns minutinhos de atraso (penso que para dar tempo de todo mundo entrar) e logo começou o espetáculo. E que espetáculo! O narrador, andando no meio da Arena, fazia as vezes de anfitrião ao imperador Adriano e à legião de Scipione, o Africano. Basicamente, a encenação tratava celebrar a vitória romana sobre Cartago, de Hannibal, uma das mais gloriosas vitórias do império romano! Ao final do espetáculo, descobrimos que o narrador é professor de História Antiga na Universidade de Nimes (não só ele; o diretor do espetáculo também é professor de História). Mas, além de professor, ele é um excelente animador de torcida. Gostamos tanto do espetáculo que, ao final do evento, ainda ficamos na Arena (claro, subindo até o alto dela e apreciando a vista) e revendo um dos momentos da batalha (que eles refizeram, com exclusividade para uma emissora de TV italiana). Aliás, dos mais de 500 atores, a maioria creio que era italiana, pelo que deduzi ao final pelos agradecimentos. Na verdade, a maior parte deles não é ator. Pelo que entendi, eles fazem parte de pequenas associações de culto ao império romano (se vestem a caráter, criam gritos de guerra, participam de eventos, realizam eventos, etc. E, claro, se divertem um monte fazendo isso).
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| Proteção com os escudos; quero ver passar uma flecha! |
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| Início do espetáculo! |
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| Elefante de Hannibal. |
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| Encenação da Batalha de Zama (que pôs fim à II Guerra Púnica, obrigando Cartago a assinar a paz e se submeter a Roma)! |
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| No clima! |
Ao final da apresentação, não resistimos e acabamos comprando um conjunto de espada e escudo para as crianças (o Francisco chama de Isclubi). À noite, andamos bastante pelo centro histórico e acabamos jantando em um restaurante meio típico Nimense, na praça do mercado (que tem o chafariz da Palmeira e do Crocodilo, símbolos de Nimes há cerca de 2000 anos - aliás, a história do crocodilo e da palmeira é muito interessante). A comida era bastante saborosa e o preço bem camarada. Fiquei impressionado com a quantidade de restaurantes na cidade e com os preços, em geral razoavelmente menores que em Clermont. Saímos bem tarde do restaurante (quase meia-noite) e não é que a 'romanada' estava lá ainda? Acho que eles fazem meio que uma via-sacra de bar em bar, cantando e ganhando cerveja. Já estavam todos passados...
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No mercadão, apreciando uns queijos!
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No dia seguinte, nos preparamos para ir embora e então descobrimos que, pertinho do apartamento, havia um negócio parecido com um Mercadão Municipal, cheio de bancas diversas, vendendo produtos tradicionais, orgânicos, peixes, frutos do mar, pães, frutas, etc. Muito bacana. Compramos umas gulodices e pegamos o carro, pois pretendíamos passar em Severac-le-Chateau (não conseguimos passear lá na ida, por causa da chuva).
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| Com os romanos no desfile! |
Mas acho que não tínhamos andado nem 500 metros e vimos um movimento diferente numa praça ali por perto (que depois descobrimos ser os Jardins de la Fontaine, berço da cidade e local que reúne inúmeros monumentos históricos). Foi um sufoco para conseguir um lugar para estacionar (tudo lotado). Mas conseguimos. Fomos rapidinho para o Jardin e adivinha só: estava rolando um desfile com os tais membros das associações romanas. Imagina que legal a gente andando no meio de gladiadores, centuriões, soldados, ferreiros... Tem inclusive muita gente (espectadores) que vai trajada também, o que é um negócio bem bacana. Ficamos por ali quase umas duas horas, o que comprometeu nosso plano de Severac-le-Chateau. Mas valeu a pena a troca.
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| Jardins de la Fontaine. |
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| Le Temple de Diane. |
Para encurtar a conversa (que este post já ficou enorme), hoje é quinta-feira e o Francisco ainda fala dos romanos (as histórias de ninar nesses dias todos estão sendo exclusivamente sobre os romanos).
Esse passeio foi mesmo muito legal. Embora tenhamos conhecido os monumentos das notas de 500 e de 5 euros, eu diria que o passeio valeu bem mais do que 505 euros. Com certeza, é um lugar que vale muito a pena voltar! Nem que seja para comprar mais um "Isclube" para o Francisco!
Vídeos de alguns momentos do espetáculo:
Oie... Que delícia de passeio!!! Amei a aula de história. Os adultos voltando a ser criança rsrs!! Adorei o post, ótima partilha. Fiquei impressionada com as construções. Obrigada
ResponderExcluirMeus Amores, que saudade. A cada post aumenta mais ainda minha vontade de estar com vocês... porque será?? hehehe. Obrigada pela partilha e aproveitem cada minuto. Bjks
ResponderExcluirAdorei o post. Sempre fico com vontade de conhecer pessoalmente os lugares que vocês nos apresentam. Saudades. beijos
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