Esse post será inteiramente dedicado à cidade que nos acolheu tão bem neste período em que estivemos vivendo na França. Para quem, assim como nós, achava que a França era só Paris, vai se surpreender com o tanto que Clermont-Ferrand tem a oferecer.
| Parque Montjuzet! Vista fantástica de Clermont-Ferrand! |
| Puy de Dôme! |
Aqui na nossa cidade francesa, os quatro elementos são marcantes. Fogo, Água, Terra e Ar tem peculiaridades e encantos, nesta terra dos vulcões de Auvérnia. Clermont-Ferrand tem uma localização excepcional: a alguns quilômetros, oitenta vulcões adormecidos mostram as suas silhuetas; o principal deles, que dá nome ao Departamento, é o emblemático Puy de Dôme (cujo perfil é a marca registrada da região da Auvérnia).
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| O imponente Puy de Dôme !! |
| O voo dos parapentes de cima do Puy de Dôme é um espetáculo a parte! |
| Altitude do Puy de Dôme! |
Clermont-Ferrand é a porta natural e principal cidade do Maciço Central, um vasto território de montanhas e planaltos que ocupa mais ou menos 15% do território francês continental. Clermont-Ferrand tem uma posição estratégica: se você pegar um mapa e meter o dedo no meio da França, vai estar bem pertinho de nossa cidade auvergnate (esse é o adjetivo pátrio de quem nasce na região de Auvergne).
| Ao fundo a Catedral Negra! |
| As obras da catedral tiveram início em 1248 e terminaram no século XIX. É o primeiro e mais vasto edifício construído em pedra Volvic. |
Mas a história não fica só nos elementos religiosos. O centro histórico é repleto de belas moradias do Renascimento e do Século das Luzes; além disso, inúmeras fontes contam uma história à parte (cada uma delas ricamente decorada com motivos interessantíssimos).
| Uma das inúmeras fontes! |
Existem muitas estátuas espalhadas pela cidade. Uma delas é o Vercingétorix uma obra de Bartholdi, a quem devemos também a Estátua da Liberdade em Nova Iorque. Para quem não sabe, reza a lenda que Vercingétorix (72 a.C. - 46 a.C.) foi um herói gaulês que conseguiu uma inédita unificação dos principais povos da Gália à época de Júlio César, para combater a dominação romana. Há quem diga que a ideia de Nação Francesa nasce justamente com o Vercingétorix. Lembra do Astérix? Então, foi inspirado no herói Auvergnate (aliás, a região leva o nome da tribo do dito cujo, os Arvernes).
Em Montferrand, a herança deixada é seu tecido urbano com fundação da cidade no Século XII. O patrimônio da Idade Média e do Renascimento pode ser visto ao longo das casas com paredes de madeira, pátios interiores, caves e finas decorações esculpidas. As caves são um capítulo à parte; esses "porões" das casas eram parte imprescindível das construções medievais. Um dos que visitamos tinha uns 100 m², fonte de água corrente e condições de abrigar um monte de gente por longo tempo, além de ligações com outras caves de construções vizinhas.
Montferrand abriga atualmente um dos festivais medievais mais tradicionais e bacanas da região, a respeito do qual já falamos em outro post (aliás, festival medieval é um negócio meio frequente por aqui). Algumas fotos das construções de Montferrand:
Clermont também foi a cidade onde nasceu o matemático, físico e filósofo francês Blaise Pascal. Nascido em 19 de junho de 1623, Blaise Pascal fez em Clermont-Ferrand a prova da gravidade do ar. Aqui muitas coisas levam o seu nome, escolas, universidades, cafés, ruas. Tem Museu com réplicas da pascaline (a máquina de somar inventada por Pascal), com manuscritos originais de algumas de suas obras (inclusive obras de filosofia e teologia), medalhões no chão com seu perfil (em frente a edifícios históricos), e por aí vai.

Aqui também é onde foi fundada a famosa Michelin, que já mencionamos em posts anteriores. Aliás, a história da Michelin é belíssima: essa empresa que nasceu como fábrica de implementos agrícolas foi pioneira em um monte de coisas (pneus que 'tapam' automaticamente o furo, trem com pneus de borracha, pneus sem borracha para veículos lunares; até mesmo a primeira pista de decolagem 'asfaltada' foi criação dos Michelin).
Na metrópole de Auvérnia, a imaginação também tem um papel destacado. Clermont-Ferrand é conhecida como a capital mundial do curta-metragem, apresentando um dos festivais de cinema mais importantes da França (tá pau-a-pau com o Festival de Cannes).
Igualmente importante é a bola oval, erguida pela equipe de rugby "amarela e azul" da ASM, ou simplesmente Montferrand Rugby. Fomos assistir a um dos jogos e foi simplesmente sensacional!!!! O Francisco agora vive brincando de rugby, se jogando no chão...diz ele que vai ser um jogador de rugby quando crescer.
Tivemos também a oportunidade de assistir um treino da equipe de rugby. Foi muito legal, em especial porque as crianças puderam tirar fotos com alguns dos jogadores.
Mas tem uma última coisa que PRECISAMOS contar para vocês. Auvergne é também uma região abençoada pelos seus queijos com AOC (denominação de origem controlada). Essa sigla quer dizer que esses queijos são tradicionais e cuja produção está fortemente conectada à região, sendo praticamente impossível reproduzir esses queijos em outro lugar do mundo.
A região tem cinco queijos com AOC. A gente experimentou todos, inclusive em eventos festivos que contavam com a participação de associações "queijeiras". Os queijos são deliciosos, e nos vamos listar primeiro os dois que nós mais gostamos. São eles:
Saint-Nectaire: Logo que foi introduzido na corte, se tornou o queijo favorito do Rei Sol (Luis XIV). Ele tem uma massa 'untuosa', cremosa, e é recoberto por uma leve camada de fungos, devido à maturação em caves (originalmente, cavernas escavadas na rocha; atualmente, também em câmaras frias, mas sempre com ao menos uma parede de terra ou pedra). Esse é o nosso preferido também.
Bleu d'Auvergne: A criação desse queijo é bem mais recente, do século XIX. Sua história é curiosa: um agricultor da região resolveu colocar no requeijão que ele produzia um pouco do mofo do pão-de-centeio (isso mesmo, adicionou mofo no queijo, com uma agulha). A região produz hoje mais de 5 mil toneladas de bleu d'Auvergne. Na nossa opinião, é imperdível na pizza (com endives) e na macarronada (espaguete).
Cantal: O mais antigo dos queijos de Auvergne, tem registros de cerca de 2.000 anos. Interessante como o solo vulcânico influencia no seu sabor. Ele é tão importante que um dos Departamentos de Auvergne leva o seu nome: Cantal. Classifica-se em Cantal jovem (30 a 60 dias de maturação), Cantal entre-deux (90 a 120 dias) e Cantal velho (pelo menos 240 dias de maturação).
Fourme d'Ambert: Fourme é o nome do utensílio de cozinha em que se coloca a coalhada. Dizem por aqui que foi invenção dos druidas, os sacerdotes dos gauleses. A fourme já foi usada como moeda (por volta do século IX) e uma das vilas mais importantes para a região na época se chama Ambert. Daí vem o nome (aliás, em Ambert, até o prédio da prefeitura tem formato de Fourme). Esse queijo é o mais suave dos cinco e tem aromas interessantes de flores das montanhas daqui, já que um dos requisitos para a produção desse queijo é que a alimentação do gado seja de ao menos 30% de flores das montanhas.
Salers: Dos queijos AOC d'Auvergne, esse é o único cuja produção é exclusiva de propriedades rurais (ou seja, laticínios não produzem). Ele só pode ser produzido entre 15 de abril e 15 de novembro, o que meio que garante que as vacas se alimentem só de pastagem natural, sem forragem (ou com muito pouca). É impressionante como isso afeta o sabor dos queijos. Além disso, a "gerle", um utensílio de madeira, também contribui para o aroma marcante desse queijo.
Se quiserem saber um pouco mais sobre a "nossa" cidade francesa, as páginas da prefeitura e do Office de Turisme de Clermont-Ferrand têm um mundo de coisas a contar:
www.clermont-ferrand.fr e www.clermont-fd.com
Abraços!!
Família Viajante
| Na Place de Jaude, Vercingétorix a cavalo! |
Em Montferrand, a herança deixada é seu tecido urbano com fundação da cidade no Século XII. O patrimônio da Idade Média e do Renascimento pode ser visto ao longo das casas com paredes de madeira, pátios interiores, caves e finas decorações esculpidas. As caves são um capítulo à parte; esses "porões" das casas eram parte imprescindível das construções medievais. Um dos que visitamos tinha uns 100 m², fonte de água corrente e condições de abrigar um monte de gente por longo tempo, além de ligações com outras caves de construções vizinhas.
Montferrand abriga atualmente um dos festivais medievais mais tradicionais e bacanas da região, a respeito do qual já falamos em outro post (aliás, festival medieval é um negócio meio frequente por aqui). Algumas fotos das construções de Montferrand:
Clermont também foi a cidade onde nasceu o matemático, físico e filósofo francês Blaise Pascal. Nascido em 19 de junho de 1623, Blaise Pascal fez em Clermont-Ferrand a prova da gravidade do ar. Aqui muitas coisas levam o seu nome, escolas, universidades, cafés, ruas. Tem Museu com réplicas da pascaline (a máquina de somar inventada por Pascal), com manuscritos originais de algumas de suas obras (inclusive obras de filosofia e teologia), medalhões no chão com seu perfil (em frente a edifícios históricos), e por aí vai.
Aqui também é onde foi fundada a famosa Michelin, que já mencionamos em posts anteriores. Aliás, a história da Michelin é belíssima: essa empresa que nasceu como fábrica de implementos agrícolas foi pioneira em um monte de coisas (pneus que 'tapam' automaticamente o furo, trem com pneus de borracha, pneus sem borracha para veículos lunares; até mesmo a primeira pista de decolagem 'asfaltada' foi criação dos Michelin).
Na metrópole de Auvérnia, a imaginação também tem um papel destacado. Clermont-Ferrand é conhecida como a capital mundial do curta-metragem, apresentando um dos festivais de cinema mais importantes da França (tá pau-a-pau com o Festival de Cannes).
Igualmente importante é a bola oval, erguida pela equipe de rugby "amarela e azul" da ASM, ou simplesmente Montferrand Rugby. Fomos assistir a um dos jogos e foi simplesmente sensacional!!!! O Francisco agora vive brincando de rugby, se jogando no chão...diz ele que vai ser um jogador de rugby quando crescer.
Tivemos também a oportunidade de assistir um treino da equipe de rugby. Foi muito legal, em especial porque as crianças puderam tirar fotos com alguns dos jogadores.
Mas tem uma última coisa que PRECISAMOS contar para vocês. Auvergne é também uma região abençoada pelos seus queijos com AOC (denominação de origem controlada). Essa sigla quer dizer que esses queijos são tradicionais e cuja produção está fortemente conectada à região, sendo praticamente impossível reproduzir esses queijos em outro lugar do mundo.
A região tem cinco queijos com AOC. A gente experimentou todos, inclusive em eventos festivos que contavam com a participação de associações "queijeiras". Os queijos são deliciosos, e nos vamos listar primeiro os dois que nós mais gostamos. São eles:
Saint-Nectaire: Logo que foi introduzido na corte, se tornou o queijo favorito do Rei Sol (Luis XIV). Ele tem uma massa 'untuosa', cremosa, e é recoberto por uma leve camada de fungos, devido à maturação em caves (originalmente, cavernas escavadas na rocha; atualmente, também em câmaras frias, mas sempre com ao menos uma parede de terra ou pedra). Esse é o nosso preferido também.
| Anna Luísa mostrando o Saint-Nectaire! |
| Compras feitas! |
Bleu d'Auvergne: A criação desse queijo é bem mais recente, do século XIX. Sua história é curiosa: um agricultor da região resolveu colocar no requeijão que ele produzia um pouco do mofo do pão-de-centeio (isso mesmo, adicionou mofo no queijo, com uma agulha). A região produz hoje mais de 5 mil toneladas de bleu d'Auvergne. Na nossa opinião, é imperdível na pizza (com endives) e na macarronada (espaguete).
Cantal: O mais antigo dos queijos de Auvergne, tem registros de cerca de 2.000 anos. Interessante como o solo vulcânico influencia no seu sabor. Ele é tão importante que um dos Departamentos de Auvergne leva o seu nome: Cantal. Classifica-se em Cantal jovem (30 a 60 dias de maturação), Cantal entre-deux (90 a 120 dias) e Cantal velho (pelo menos 240 dias de maturação).
Fourme d'Ambert: Fourme é o nome do utensílio de cozinha em que se coloca a coalhada. Dizem por aqui que foi invenção dos druidas, os sacerdotes dos gauleses. A fourme já foi usada como moeda (por volta do século IX) e uma das vilas mais importantes para a região na época se chama Ambert. Daí vem o nome (aliás, em Ambert, até o prédio da prefeitura tem formato de Fourme). Esse queijo é o mais suave dos cinco e tem aromas interessantes de flores das montanhas daqui, já que um dos requisitos para a produção desse queijo é que a alimentação do gado seja de ao menos 30% de flores das montanhas.
Salers: Dos queijos AOC d'Auvergne, esse é o único cuja produção é exclusiva de propriedades rurais (ou seja, laticínios não produzem). Ele só pode ser produzido entre 15 de abril e 15 de novembro, o que meio que garante que as vacas se alimentem só de pastagem natural, sem forragem (ou com muito pouca). É impressionante como isso afeta o sabor dos queijos. Além disso, a "gerle", um utensílio de madeira, também contribui para o aroma marcante desse queijo.
| Delícia!! |
www.clermont-ferrand.fr e www.clermont-fd.com
Abraços!!
Família Viajante
